Alô amigos. Hoje vou contar a história dos maiores balões já construídos da história. Muita gente acha que o gigantismo exagerado é considerado uma loucura. Até concordo, mas uma coisa é fato: Quando há um balão gigante pra subir, todos querem ver, não é verdade? Bem, antes destes "pequeninos" balões subirem, vou contar as histórias dos maiores balões do mundo que já subiram. De uma forma ou de outra, mas subiram...

Vamos começar em 1982, com uma loucura que até hoje, ninguém tentou fazer igual, que foi o "Balão Monstro do ABC" ou o "OVNI da Represa Billings", o balão que parou as cidades do ABC, conforme contavam os jornais da época. Era "apenas" um 33x33, 66 metros reais da Turma Piratas do Céu de São Caetano do Sul, cidade do ABC em São Paulo".

O balão nasceu da idéia do Paulinho Ignorante, conhecido baloeiro do ABC e alguns amigos na época. Eles não tinham bancada e convenceram um zelador de uma escola abandonada para deixar fazer o balão lá. Como naquela época poucas pessoas conheciam a técnica de construção de balões em cones, eles fizeram o balão inteiramente, de ponta a ponta. Juntaram portas das salas de aula e confeccionaram o balão lá mesmo. Com certeza foi a maior bancada da história, com quase 70 metros. Imaginem o quanto sofreram para confeccionar este balão. Eram mais de 130 metros de caminhada por gomo. Como o papel era de baixa qualidade, cintaram o balão com cintamentos cruzados e, pouco mais de um ano depois terminaram a confecção. Agora, vamos para a história da soltura:

Era manhã de 06 de setembro de 1982. Chamaram poucos baloeiros para ajudarem na soltura, que foi num campo no meio da mata em São Bernardo do Campo, cidade próxima a São Caetano do Sul. Foram utilizados mais de 7 maçaricos e chegaram à amarrar a boca numa trave de futebol e colocar carros para que os gases dos escapamentos auxiliassem à inflá-lo. A boca do balão tinha 4 metros de diâmetro e foi feita com ferros de construção. O balão, não encheu totalmente. Devido à enorme pressão que o balão exercia sobre os mais de 30 homens segurando a boca, decidiram soltá-lo sem bucha. Ele caiu sobre um morro, rolou sobre as árvores e ficou sobrevoando a Represa Billings, parando a cidade e virou notícia em diversos jornais da região. Caiu após 2 horas de vôo numa quadra de futebol, numa praça em Rio Grande da Serra, cidade próxima a São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Não houve resgate. Quando os baloeiros chegaram, a molecada já havia posto fogo no papel. Este balão é até hoje o maior balão feito com corte convencional a subir sem bucha.

Passado 8 anos, outro Paulinho, desta vez o Carrapato, da Turma Unida do Jabour, bairro do subúrbio carioca, surpreendeu o mundo baloeiro com um pião carrapeta de 70 metros. Mas antes de contar essa fantástica história, seria uma enorme injustiça deixar de contar outras aventuras de turmas de São Paulo e Rio de Janeiro em busca do status de ser a turma que conseguisse soltar o maior balão de papel da história. A busca pelo título de maior pião do mundo passou nas mãos de várias turmas. Entre elas, o Pai do pião carrapeta, o carioca Ivo Patrocínio e sua Turma do Cachambi. Entre seu Pião de 40m, aquele verde com sinaleiras, bóias e bips que levou uma bandeira do Brasil em 1980 e este, foram vários balões acima de 40 metros que tentaram soltar. Por exemplo, o Reis dos Reis em 1985, um pião de 54 metros construído pela união de várias turmas do Rio. Tentaram por várias vezes soltar o pião, mas, de tanto tentarem, desistiram e destruíram o balão. A Turma da Bruxa do RJ com um pião de 45 metros, a Turma da Vila da Penha e o próprio Paulinho Carrapato, também soltaram seus piões de 45 metros. A Turma do Cometa do Rio, também tentou soltar um pião de 45 metros com fogos e bandeira. Ele até subiu, mas explodiu minutos após subir. Aqui em São Paulo, além do pião de 45 metros da Turma Dez de Ouros em 1985, o Clube Paulistano de Balões tentou soltar um 23x21 em 1986, mas não subiu. Já a Turma dos Amigos conseguiu com êxito soltar seu pião de 42 metros em Cajamar em 1988. Este foi por anos, o maior balão de São Paulo a subir completo.

No mesmo ano, a Turma do Vaga Lume soltou um pião de 42 metros também, mas explodiu minutos após subir. No ano seguinte, em 1989, a Turma da Praça também tentou soltar outro 23x21, mas ele explodiu também no maçarico. No Rio, a Turma da Balança de Realengo, conseguiu soltar o maior bagdá da história. Um bagdá de 48 metros com fogos. Recorde que só foi batido em 1997 pela TZN de São Paulo com um bagdá de 53 metros. Voltando para 1990, outra Turma de São Paulo, a Figueira Grande, também tentou soltar um 23x23 com fogos, mas ele explodiu nas guias, fazendo todo mundo correr com os fogos explodindo pra todo lado. Como você pôde ver, todos eles conseguiram passar da barreira dos 40 metros. Mas, foi em 1989, 4 anos depois do Reis dos Reis, Ivo e seus amigos surpreenderam o mundo baloeiro quando tentaram soltar outro pião, desta vez com 60 metros, mais infelizmente, ele explodiu no maçarico. Nem chegou a encher completamente. No ano seguinte, 1990, a Turma do Cometa em parceria com a Turma do Gabriel, conseguiram soltar o até então, maior pião do mundo. Quem não se lembra do Pião de 54 metros com a bandeira do Pantanal? Era manhã de 28 de abril de 1990. Ele subiu, levou a bandeira, mas fechou a antena. Mesmo assim foi o maior pião carrapeta a subir na história, até então. Só que esse recorde, poderia ser batido 4 meses depois com o Pião de 70 metros do Paulinho Carrapato e sua Turma, a Unida do Jabour. 23 de setembro de 1990, uma data histórica. Data da soltura de mais um gigante. Um pião Carrapeta de 70 metros. Era realmente um gigante. Era tão grande que não conseguiram segurá-lo, e, assim como ocorreu com o balão da Turma Piratas do Céu, não agüentaram a pressão e soltaram o balão, desta vez sem boca. Era mais um monstro passeando nos céus do Rio de Janeiro. Quem vê as fotos ou o vídeo se impressiona realmente com o tamanho do balão. Ele caiu sob árvores e os baloeiros que chegaram queimaram os mais de 300 kilos de papel. Com certeza foi o maior resgate da história. Passado quase 2 anos, desta vez, foi com a união de duas turmas de São Paulo, a Baloema do conhecido Pascoal e a Guerreiros da Paz de Campinas que tentaram soltar um pião de 52 metros. Lembro-me como se fosse hoje: Era manhã de 18 de junho de 1992, dia seguinte do 1º campeonato da Libertadores do São Paulo FC. Eu tinha acabado de chegar do Morumbi e já fui pra Sorocaba, interior de São Paulo, para ver esse balão. Chegando lá, uma fazenda que mesmo com o mapa, poucos chegaram a encontrar, e mesmo assim, milhares de pessoas e até uma equipe de reportagem do Aqui Agora, telejornal do SBT na época estava lá. Quer dizer, tentou ficar lá, pois foram expulsos do campo. O balão foi sendo inflado, realmente era gigantesco, mas explodiu minutos antes de colocarem a bucha. Foi a maior decepção. 3 dias depois lá estávamos nós na estrada novamente. Desta vez para o Rio de Janeiro. Só pra lembrar, voltando para o pião de 60 do Ivo, se você se lembra, ele havia explodido no maçarico. Num acordo entre o Ivo e a turma da Bola, também do Rio, a turma da Bola levou o balão e reconstruiu o cone que havia explodido. E lá estávamos nós, na manhã de 21 de junho de 1992, na famosa pedreira dos festivais da Turma da Amizade em Inhaúma no Rio. A turma da Bola teve sorte. O tempo estava maravilhoso. O balão subiu perfeito, sem nenhum rasgo, mas acabou enroscando a bandeira na pedreira e a turma, juntamente com centenas de pessoas, puxaram o balão com muito sofrimento de volta, na intenção de tirá-lo o suficiente para subir sem que a bandeira enroscasse no morro. Mas não teve jeito. Como havia o risco do balão explodir, cortaram a bandeira e lá se foi o balão com a antena para os céus. Não se sabe de onde ele caiu, mas, assim com história de pescador, meu pai, que era caçador (de veados, capivaras, etc), uma certa vez, caçando no interior, conversou com um senhor no meio do mato e ele lhe disse que tinha visto um enorme balão que caiu no meio do mato em Extrema, cidade do sul de Minas. Um certo dia esse senhor estaria caçando por lá e viu restos de um grande balão vermelho e azul com um monte de "bambus" e "cordinhas" pra todo lado. Se é verdade? Sei lá. Mas esse balão subiu e foi o maior balão a subir com bucha até então.

Estamos agora em 1993. Dia 02 de janeiro. Mal nos livramos da ressaca de Reveillon e lá estávamos no Clube Santa Mônica, na zona sul de São Paulo. Era manhã da soltura do 27x27 da Turma Figueira Grande.

 

Realmente era um balão gigantesco. Vários maçaricos e chegaram até a entrar dentro do balão para enchê-lo. Depois de muito sofrimento o bichão levantou totalmente do chão. Não foi fácil levantar os mais de 450 Kilos de papel. Uma história que poucos sabem, mas esse balão foi feito em apenas 4 meses, com turnos de 9 horas de segunda à sexta pelo nosso amigo Luciano da Turma Emoção. O balão foi feito em 4 cones de 13,50 metros e cada cone tinha em média 100 cintamentos na horizontal. Papel hulk 40 gramas o azul e 45 gramas o vermelho. Devido a enorme pressão que o balão exercia sobre os mais de 60 homens distribuídos nas 6 guias, a turma decidiu liberar o balão com 2 gaiolas totalizando 600 dúzias. Subiu aproximadamente às 7:15 da manhã e pelas informações caiu num bambuzal em Jacarezinho no Paraná, sendo resgatado pela Turma Boca da Noite de Santo André por volta das 22:00. Como não havia condições de trazer o balão inteiro pra São Paulo, trouxeram só a boca, guias e pedaços do balão. Dizem que sua boca, que tinha 4,50 metros de diâmetro está até hoje sobre uma laje em Santo André.

Você se lembra do Paulinho Carrapato que fez um Pião de 70 metros que subiu sem boca em 1990? Pois bem, se você acha que fazer um pião desse tamanho é loucura, imagina então, se fazer mais um? E ele fez. Acredito eu que foi mais uma questão de orgulho, pois, o primeiro pião de 70 eles não conseguiram soltar corretamente. Era manhã de 28 de março de 1993. Desta vez, o balão não arrastou a galera na boca. Ele subiu, mas enroscou a bandeira nas árvores. A bandeira rasgou e o balão abriu o bico. Foi a maior decepção.

Voltando ao balão da Baloema, o famoso pião de 52 metros, juntamente com a Turma da Emenda, eles restauraram o balão e o soltaram na manhã de 2 de novembro de 1993 em Mairiporã, São Paulo. Devido a problemas, o balão subiu só com antena e sumiu. Apareceu até no telejornal SPTV da TV Globo. Uma pessoa filmou um objeto estranho no litoral no fim da tarde pensando que era um OVNI. Pra quem conhece balão e viu o vídeo, deu pra ver facilmente a silhueta do pião. De acordo com informações, um marinheiro, amigo de um baloeiro, viu pelo radar do navio, um objeto estranho descendo em alto mar naquela noite.

Mas, a vida e os balões continuavam. Já estamos na fria manhã de 22 de maio de 1994, em Itapevi, São Paulo, no sitio do saudoso Claudinho Alvarenga, o principal campo de soltura de balões da década de 90. Era manhã da soltura do maior truff da história, o truff de 40 metros da Turma Balão Mágico de São Paulo, o conhecido balão do Lelé, integrante da turma que havia falecido meses antes da soltura do balão. O molde não era um dos melhores, mas, até então, ninguém havia construído e solto um truff tão grande. E ele subiu, levando 6 gaiolas com mais de 1500 dúzias de fogos. Parece que sumiu. Havia muita neblina e não tenho informações sobre onde ele tenha caído.

Pra terminar, seria injustiça não falar do balão do Lelo e Sandu Mosaico, o maior pião carrapeta a ser construído e solto com extrema perfeição. Independente se tinha 72 ou 70 metros, pra quem sabe da história deste balão, reconhece e sabe que tudo só deu certo pela experiência e paciência que tiveram em fazer e soltar o balão. Não podemos esquecer também do Estrela de 60 metros, solto durante a copa de 94 pela Turma Casarão do Méier no Rio, do Zepelim de 70 metros da Turma da Kombi, solto também no Rio em 1997. Aqui em São Paulo, quem não se lembra da Bagdá de 54 da TZN? Outro monstro solto no sitio do Claudinho em 97. Gastamos 2 tanques de gasolina e desistimos de ir atrás dele quase à noite no Rio de Janeiro. Vale lembrar também do Pião de 62 metros da Turma da Emenda em junho de 2000, que fechou a bandeira e sumiu. Outro que sumiu foi o pião de 56 do Anderson. Muitos balões gigantes subiram e não devemos deixar de lembrar:. O Golfier de 45 metros da Turma da Brasa do Rio. Essa turma da Brasa também já soltou um pião de 48 e quase soltaram um truff de 45 que teve problemas mas em breve, vai pros céus novamente.tem Também o truff de 52 metros da Turma Balão Mágico em 2005, O maluco mas meu amigo  Anderson de São Paulo, que já soltou um truff de 52, um bagdá de 40, um pião de 56 e tá fazendo um modelado de 47 e tava fazendo um pião de 90m mas a polícia levou e botou fogo, e assim vai... Se eu fosse contar as histórias de todos, seriam páginas e páginas, fotos e fotos, mas como recordar é viver, espero que tenham gostado da coluna deste mês. Um abraço a todos e até a próxima.

Quer comentar este artigo clique aqui.